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Primeira parte de uma teoria útil sem finalidade alguma para pessoas desocupadas que procuram conhecer melhor sobre placas e filas, mas que nunca tiveram a oportunidade ou o interesse antes.
Primeira parte de uma teoria útil sem finalidade alguma para pessoas desocupadas que procuram conhecer melhor sobre placas e filas, mas que nunca tiveram a oportunidade ou o interesse antes. Comecemos a apresentação desta primeira parte da teoria com uma pergunta polêmica que não quer calar depois de porrilhões e porrilhões de anos: quem nasceu primeiro? A placa ou a fila? Para responder a tal sórdida e vil questão, discorreremos a seguir sobre duas hipóteses. A primeira delas diz que um grego sem muito ter o que fazer inventou uma obra estranha, nunca vista antes, da seguinte maneira: fixou um pequeno objeto retangular plano a um tronco fino de madeira de uns dois metros de altura, escreveu uma poesia de um dos lados do objeto retangular e, finalmente, cravou-o no chão na vertical. Como resultado, em questão de minutos um rapaz curioso como um ganso parou em frente a essa espécie de obra de arte e começou a ler o tal poema. Passado alguns segundos, outro cidadão chegou ao local e parou atrás do primeiro e também principiou a ler o escrito. Resumo da ópera: o grego inventou a placa e, por conseqüência disso, a fila foi criada. É prudente esclarecer uma coisa a respeito dessa hipótese: os gregos que estavam um atrás do outro lendo a poesia, sentindo que estavam presentes em um evento que teria importância incomensurável para toda a civilização humana, trataram de dar nome aos bois, ou melhor, à placa e à fila, e, como todo grego idiota que sempre quer dar nome de algum animal para alguma coisa que descobre, basearam-se no canto de dois pássaros que estavam no local naquele exato momento. Sei que não deve ter entendido o critério usado pelos gregos, entretanto devo advertir que este trabalho científico, como qualquer outro, exige um mínimo de conhecimento sobre o assunto. Em outras palavras, se o senhor estudasse mais – e lesse menos textos inúteis – saberia perfeitamente que há porrilhões e porrilhões de anos habitavam na região da Lídia dois pássaros que tinham o seguinte canto: “Plá-ka-aaa-ka-aaa” e “Fí-la-aaa-la-aaa” e que justamente foi a esses dois pássaros que me referi. Provavelmente você não concorda com o estudo científico e histórico apresentado, mas tenha paciência e continue lendo. Apresentaremos agora a segunda hipótese do surgimento da placa e da fila, que tem origem oriental. Pois bem, a arquitetura chinesa antiga era, simplesmente, deficiente. Os chineses não sabiam construir nada direito. Como exemplo disso, repare o senhor na próxima vez que visitar a China naquelas casinhas com tetos tortos e – o que é mais importante para esta pesquisa – nas ruas estreitíssimas. As ruas na China eram tão estreitas, mas tão estreitas e a população era tão tão, mas tão tão, que tinham que andar em filas. Como não é fácil para um chinês andar em linha reta sem causar confusão, uma vez que eles têm olhos puxados a ponto de quase ficam fechados, tiveram que criar sinalizações para não haver mortes e acidentes no trânsito de pedestres. Diferentemente da explicação grega, na China a fila foi inventada primeiro e, em seguida, foi criada a placa. É interessante deixar claro que, para diferenciar o chinês que está na fila do que não está, tendo em vista que todo chinês é igual, as autoridades inventaram aqueles chapéus que parecem funis. Dessa forma, o chinês de chapéu está na fila e o sem chapéu não está. Ah! quase ia me esquecendo de tirar uma pulga que, se ainda não está atrás da sua orelha, logo deve aparecer por aí. Acredito que o senhor pensa que o ato de uma pessoa andar atrás da outra é chamado de fila indiana porque os indianos inventaram, mas estão enganados. Os indianos aperfeiçoaram a técnica inventada pelos chineses. A fila indiana nada mais é do que uma fila chinesa sem chapéu! E por hoje é só. Não perca a segunda parte da teoria que pretende discutir o porquê do brasileiro gostar tanto de fila e por qual motivo as placas nunca indicam corretamente os lugares para onde apontam.
Escrito por Rafael de Leon às 19h48
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Sem título ainda
Ao acordar com o barulho do despertador para mais um dia de trabalho, João se deparou com um livro sobre a cômoda que não se lembrava de ter colocado ali e, o que é pior, acreditava nunca tê-lo visto em toda sua vida. O rapaz se levantou e decidiu seguir sua rotina de todas as manhãs, pensando em dar uma olhada no tal livro no final do dia, quando chegasse da faculdade. Mas as coisas não aconteceram assim. Quando estava para entrar no banheiro, tropeçou em algo. O livro. O mesmo livro. Ele notou que a capa era igual ao que estava sobre a cômoda e começou a se preocupar com sua memória, pois não se lembrava de ter saído do bar na noite passada com dois livros de capas iguais e muito menos de espalhá-los pela casa. Saiu do banheiro com o livro em que havia tropeçado na mão e o deixou sobre a mesa da cozinha. Iria preparar o seu solitário café da manhã e daria uma passada de olhos naquelas folhas enquanto comia. Mas as coisas, novamente, não aconteceram assim. Ao abrir a porta da geladeira para pegar o leite, eis que encontra outro livro igual aos dois primeiros sobre o pote de margarina. Definitivamente começou a se preocupar com sua memória. João se esqueceu do leite, pegou o livro sobre o pote de margarina e se encaminhou para mesa da cozinha: iria sentar e descobrir o que estava acontecendo. Arrepiou-se ao descobrir que o outro livro que estava sobre a mesa não estava mais lá. Pensou em não estar sozinho em casa e com uma voz vacilante perguntou se havia alguém ali. Nenhuma resposta. Foi, cautelosamente, de cômodo em cômodo, procurando vestígios de outra pessoa, mas nada encontrou. A porta do apartamento estava trancada e sem nenhum sinal de arrombamento. Com as janelas não havia o porquê de se preocupar, já que morava no oitavo andar. A única coisa que o preocupou foi o fato de não haver nenhum livro sobre a cômoda quando entrou no seu quarto. Resolveu abrir o livro que estava em sua mão, antes que esse também sumisse, e constou que, apesar de pesado, havia apenas umas dez páginas, todas elas muito grossas, de um papel nunca antes visto por ele. A capa tinha um acabamento impecável e não tinha nada escrito, assim como na lombada e na contracapa. Ao passar os olhos na primeira página, seu coração disparou ao ler o seguinte, em letras grandes e bem trabalhadas: “Bom dia, João. Agora sou seu como você é meu. Não me leia até a última página, a não ser que queria descobrir o final da nossa história.”. Virou a folha e sentiu vertigem no estômago ao ler tudo o que havia feito desde a hora que acordara até aquele momento. E não parou por aí. Ao virar a página novamente, leu o que iria fazer naquele dia. Para falar a verdade, ele parou de ler, assim como estava descrito no livro, no momento em que descobria que às dez e quinze da manhã derrubaria café em sua própria roupa. Achou aquilo um absurdo, apesar de todo o medo que estava sentindo, e jogou o livro em cima do sofá e foi trabalhar. (Não preciso dizer que isso estava previsto naquelas páginas, assim como o fato de que ele correria até o ponto de ônibus por estar atrasado e que perderia o coletivo por pouquíssimos segundos). Ficou a manhã toda reparando que o que havia lido há pouco estava realmente acontecendo e, dez e quinze da manhã, enquanto segurava um copinho de café e pensava sobre o que lhe vinha acontecendo até então, seu chefe aparece abruptamente e pergunta o porquê de não estar trabalhando. Com efeito, João se assusta e derruba o café na roupa. Em seguida, alega não estar se sentindo bem e pergunta se poderia tirar folga na parte da tarde. O chefe concorda ao reparar que realmente faltava um pouco de cor no rosto de João.
Voltou para casa e tornou a ler o livro, mas sem chegar à última página, pois estava suficientemente convencido de que isso poderia por realmente um fim a sua vida. Não sabia como, mas o livro se auto-reescrevia a cada dia com todas as informações do que aconteceria. João por algum tempo achou aquilo maravilhoso, mas depois começou a sentir que a sua vida estava perdendo o sentido, já que na primeira hora de cada dia sabia o que aconteceria. As semanas passaram e ele procurou tomar algumas providências; todas sem sucesso. A primeira delas foi se livrar do livro, jogando-o pela janela do ônibus, mas ao chegar em casa encontrou o livro sobre a mesa. Depois dessa tentativa, a seguinte foi mostrar o livro a um amigo, pedindo algum conselho. Novamente sem sucesso, pois assim que acabou de falar sobre o livro e foi mostrá-lo ao outro – para a sua surpresa – as páginas estavam todas em branco. – Realmente esse livro conta detalhadamente o que você faz da sua vida, João – disse o amigo rindo – Nós dois sabemos que você não faz nada, logo o livro teria que estar em branco mesmo... – É verdade o que estou dizendo! – retorquiu João, olhando, atônito, aquelas páginas sem nenhuma letra – não sei o que aconteceu que Ele se apagou! – “Ele” se apagou? Sim... sei... Olha meu amigo, boa história essa que me contou... Juro que os pêlos do meu braço se arrepiaram. Já pensou em escrever um roteiro de um filme sobre isso? Você leva jeito para a coisa...
O tempo correu e sua vida foi se tornando insuportável. Tentava ignorar a existência do livro, mas sempre que abria uma bolsa, uma gaveta ou olhasse para alguma direção, lá estava ele. Certa noite decidiu que aquilo tudo teria que terminar: leu o livro até a última página. Assim que terminou de passar os olhos pelo ponto final, ficou pálido, deixou o livro cair de suas mãos e começou a tremer. – Então é assim?! – disse ele inconscientemente a frase que não parava de martelar em sua cabeça Depois disso, não sabia mais o que fazer, aliás, sabia sim, porque havia lido há pouco e, por mais que tentasse fugir, repetiu justamente o que aquelas páginas diriam que aconteceria. Não queria dormir. Em hipótese alguma dormiria, pois sabia que ali estaria seu fim. Mas o sono foi ganhando espaço dentro da sua cabeça e ele resolveu ir ao bar ver gente, beber e se manter acordado o máximo que conseguisse. Sua idéia funcionou por um tempo, mas João acabou bebendo demais e perdeu o controle sobre suas ações e esqueceu que estava próximo do fim. Dado momento, já muito cansado, voltou cambaleando para casa, tomou um banho, deitou na cama e dormiu, esquecendo do havia lido alguma horas antes. Ao acordar com o barulho do despertador para mais um dia de trabalho, João se deparou com um livro sobre a cômoda que não se lembrava de ter colocado ali e, o que é pior, acreditava nunca tê-lo visto em toda sua vida...
Escrito por Rafael de Leon às 23h45
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Dei umas férias aos meus textos; ano que vem estão de volta, eu acho.
Escrito por Rafael de Leon às 16h06
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